Sabe aquela história de que pequenas escolhas podem acarretar um infinito de consequências no futuro? Tenho pensado muito nisso por esses tempos.
E pra compreender melhor minhas indagações eu me volto pra melhor professora que possa existir: a natureza. É observando e criando a partir dela que eu consigo compreender (não só com a cabeça, mas de forma sensível com a alma) aquelas questões que conflitam dentro de mim.
Há umas semanas atrás eu decidi que iria criar uma nova série de fotografias buscando uma forma de mostrar toda a psicodelia contida na natureza. Buscando mostrar que a natureza é psicodélica por si só. Mas o destino me trouxe aqui. Produzi algumas fotografias, olhei pra essa sequência de fotos e, no final, entendi os caminhos que percorri. Olhei para o que foi possível traçar diante de todo o caos e das demandas imprevisíveis da vida.
Essas fotos me revelaram algumas observações: primeiro de que a vida, assim como o tempo, não é reta, não é linear, é caótica. A vida tem uma natureza, te dá condições de clima, e outras condições nas quais não se pode ter controle algum. E você precisa aprender a caminhar pelas trilhas que já existem, fazer escolhas sobre qual direção seguir nas bifurcações que aparecem, ou então fazer o mais difícil (mas as vezes necessário): abrir novos caminhos.
Fotografias da série “Destino” de Maria Letícia Cânovas, 2023.
A segunda observação é que a vida possui padrões. A natureza produz desenhos e formas que se repetem infinitamente. Mas ainda assim, cada pedaço de vida é singular. Tem formas, cores, DNA que são únicos. Como isso pode acontecer?
A ideia da teoria do caos é que pequenas mudanças nas condições iniciais podem acarretar um futuro completamente diverso. E, mesmo quando as coisas parecem bagunçadas e imprevisíveis, há algum tipo de ordem escondida nelas. É como se houvesse padrões organizados por trás da bagunça. Veja, por exemplo, o clima. Nosso sistema atmosférico tem uma natureza caótica, mas ainda assim é previsível em algum nível.
Fotografias da série “Destino” de Maria Letícia Cânovas, 2023.
Pode-se comparar isso à geometria fractal, que mostra que na natureza vemos padrões semelhantes se repetindo em diferentes tamanhos. Em outras palavras, a forma geral de algo é parecida com ela mesma, não importa em que tamanho você esteja olhando. O galho de uma árvore é parecido com a árvore toda. É como se houvesse padrões dentro de padrões.
Por fim, há algo que vejo em comum entre todas essas ideias: o movimento. E tudo que está em movimento possui um destino. O que as fotografias me revelam mais uma vez é que o natural é estar em movimento. Com isso tudo, reflito sobre uma questão: quais pequenos movimentos podem ser feitos no aqui e agora para criar padrões caoticamente diversos em meu destino?
Fotografias da série “Destino” de Maria Letícia Cânovas, 2023.
Assim, apresento essa série que fala sobre caminhos, escolhas, bifurcações, encruzilhadas. Fala sobre o destino. E que foi produzida com muito carinho e dedicação à vida e à arte.
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